domingo, 30 de março de 2014

ACABAMENTO PARA PEÇAS MARCHETADAS.

     Recebi uma mensagem solicitando informações sobre o acabamento que utilizo nos trabalhos de Marchetaria. Achando que poderiam ser úteis a outros resolvi pela postagem. Não tenho a pretensão de postar um Tutorial, pois as técnicas são inúmeras e cabe a cada um procurar aquela que entender mais conveniente para chegar ao resultado planejado.

COLAGEM DAS PEÇAS MARCHETADAS NO SUBSTRATO:
- Na colagem dou preferência à cola de contato (conhecida como cola de sapateiro). Não é a melhor escolha, mas foi a que me adaptei. Com ela obtenho resultados mais rápidos (tempo para mim é essencial - tenho apenas um dia da semana para “Marchetar” – risos).
- Após a colagem se faz necessário a limpeza dos resíduos deixados pela cola, fita crepe e fita durex para embalagens, pois se não forem retirados, no processo de lixamento, eles empretecem (danificando o trabalho). Primeiramente utilizo serragem umedecida: com a mão esfrego sobre a área do trabalho e, após, retiro-a com um pincel. Espero secar; A seguir, com um pano limpo e levemente umedecido com solvente (levem o termo ao "pé da letra": “levemente umedecido”, o solvente é absorvido pelos folheados e poderão enfraquecer a colagem), finalizo a limpeza da área deixando a peça preparada para a raspagem (existem ferramentas especiais para esta etapa).

LIXAS:
- Dê preferência às lixas de qualidade (fazer economia nesse item é bobagem). Utilizo as lixas d’água, elas possuem uma vida útil maior, possibilitando ganho na produtividade (trocar lixas desgastadas na lixadeira orbital demanda tempo) e um acabamento mais requintado. 
       O processo de lixamento pode ser manual. Dou preferência às lixadeiras orbitais, pela rapidez, qualidade e por permitir passagens sem preocupar-me quanto à direção dos veios. Neste processo vai prevalecer a experiência e o resultado final que mais agrada. Isso virá com o tempo, mediante análise dos resultados.
      Inicie o procedimento com o grânulo que entender necessário (para madeiras rústicas: Grânulos entre 60 e 120. Madeiras trabalhadas ou folheadas: 150 ou 180). O Grânulo seguinte será sempre próximo ao percentual de 50% maior que o anterior (para um acabamento perfeito não se esqueça de contar as passagens).
- Superfície espelhada (alto brilho): 150; 220; 320; 400 e 600;
- Com a superfície mais natural: 150 ou 180; 240 ou 260 e 360 (este, com passagem 20% maior que a do grânulo anterior).
Importante: Não se esquecer de retirar o pó da área marchetada e, eventualmente, da própria lixa em etapas estabelecidas por você. Este procedimento é eficaz para um resultado compatível com o que se pretende.
     Após a peça lixada, com uma escova de cerdas macias, retire todo o pó resultado do procedimento anterior. A seguir, com um pano levemente umedecido com solvente faça a limpeza total com passadas rápidas e largas. Após este procedimento pode ser necessário lixar (poucas passadas – apenas para retirar o “arrepio” dos folheados) com grânulo 360 ou 600, dependendo da superfície desejada.

SELADORA:  
     A mistura da seladora com o solvente pode ser em porcentagens iguais, ou em uma parte de seladora para duas de solvente. A mistura é definida de acordo com o folheado a ser utilizado.

     Para o folheado mais poroso dou preferência à mistura em partes iguais.  De outra forma utilizo-a mais diluída.
 - Prepare uma “boneca” com algodão cru. Separe uma quantidade de algodão e com a palma da mão de encontro a uma superfície levemente áspera, sob leve pressão, faça círculos esfregando-o até ficar em uma forma ovalada e consistente.
      A aplicação da seladora e seu resultado são medidos de acordo com o acabamento pretendido (podendo até finalizar com o produto – mediante várias aplicações até chegar ao resultado desejado). Eu tenho preferência pelo acabamento acetinado em detrimento ao excessivamente brilhante. Portanto, na maioria das vezes, aplico 02 demãos. Sendo o folheado mais poroso até 03 demãos.
Importante: Entre as demãos de seladora, após a secagem, utilize uma lixa 400: Passe-a levemente - respeitando os veios - sem retirar o produto, apenas para eliminar “caroços” que surgem na superfície. A seguir com um pano limpo e seco retire a poeira.

CERA:
Uma grande maioria utiliza a Cera de Carnaúba (já vem preparada para o uso). Eu prefiro a cera para Marchetaria que tem a seguinte fórmula:
- Cera de Carnaúba em estado sólido;
- Parafina;
- Cera de Abelha;
- Aguarrás.
Esta etapa requer cuidados, pois utilizaremos fogo para diluir as partes sólidas.
Primeira Etapa: Em partes iguais junte a Cera de Carnaúba, Parafina e Cera de Abelha. Em “banho-maria” dissolva-as.
Segunda Etapa: Com aguarrás (muito cuidado o produto é inflamável) despeje em pequenas quantidades, e com uma colher de pau force a diluição até chegar à consistência desejada.
Terceira Etapa: Despeje a cera em um recipiente de alumínio; Aguarde seu esfriamento e tampe. A cera já está pronta para uso.

ENCERANDO AS PEÇAS:
Primeira Etapa: Após a secagem da seladora, que ocorre em média (dependendo da temperatura ambiente e grau de umidade) por 30 minutos. Utilize os seguintes procedimentos:
- Preparação da “boneca”: Corte o tecido (dou preferência ao algodão), que não produza fiapos ou outros detritos que possam arranhar as peças, com as seguintes dimensões: 250mm x 250mm;
- Com a ponta de uma faca ou espátula retire uma quantidade de cera proporcional à área a ser encerada. Deposite no centro do retalho. Junte as pontas de forma que se possa fazer um torniquete, vá torcendo até a cera sair pelos poros do tecido. A boneca pode ser reutilizada. Portanto, guarde-a no próprio recipiente onde é armazenada a cera.
- Passe como se estivesse escrevendo a letra ”e” – minúscula.  A seguir, passe em direção aos veios da madeira. Espere secar. Na maioria das vezes uma demão é suficiente para se obter uma leve camada. Mas, dependendo do folheado pode ser necessária uma segunda demão.
- Após a secagem com uma escova (daquelas utilizadas para engraxar sapatos) com cerda dura passe até o excesso de cera desaparecer da superfície. Dê o brilho com uma flanela limpa e seca (prefiro meias em malha de algodão que encaixam perfeitamente na escova produzindo um melhor resultado e com menos esforço).

     Existem vários produtos para acabamento, inclusive àqueles onde as peças receberão produtos comestíveis; O citado é o mais usual e voltado para as peças de exposição interna.  


    Bastante atenção às especificações dos fabricantes, principalmente quanto aos itens de segurança. Utilize equipamentos de proteção e trabalhe em um ambiente bastante arejado. Não armazene os produtos em ambientes fechados, alguns são passíveis de combustão espontânea.

   Boa tarde, Simone. 
Espero ter sido útil e sempre que necessitar, dentro do possível, estarei pronto a repassar informações.
Lembranças de Osvaldo Ururahy.

8 comentários:

  1. Essa matéria é ótima, a maioria destes acabamentos também são usados na tornearia, só que em aplicações diferentes, o artigo ficou bem explicado, valeu.

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  2. Valeu Danilo!
    Em breve estarei participando com você na tornearia. Principalmente nos trabalhos em madeiras segmentadas.

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  3. Excelente lição ,bem didática .É muito gratificante passar conhecimento.
    Abraços

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  4. Valeu Dom!
    Presto bastante atenção nas suas lições, e muito do que já passou utilizo em minhas aventuras.

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  5. Sempre achei muito linda a arte de marchetaria, fico sempre impressionada. É sempre bom passar seus conhecimentos para que outros também se aventurar por essa bela arte.
    Grande abraço e boa semana!
    Mari.

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  6. Oi Ururahy!

    Que legal você passar para outros, os seus conhecimentos... Louvável esta tua iniciativa! Parabéns!

    Abraços, Iris

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  7. Gostaria de maiores informações para fazer o acabamento em marchetaria com compressor.
    Grato

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  8. Bom dia José Carlos,
    Vamos ver se entendi sua dúvida:
    Você pretende aplicar com compressor produtos de acabamento nas peças marchetadas: tais como: seladoras, vernizes, etc. . .?
    Se for esta a dúvida, sim. Em peças pequenas tenho utilizado um aerógrafo, em maiores utilizo pistola, não só para
    aplicação de acabamentos como para retirada dos resíduos pós abrasão com lixas – utilizando o bico destinado a esta etapa.
    Se não tirei completamente suas dúvidas, favor enviar-me mensagem confirmando.
    Lembranças de Osvaldo Ururahy.

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